Claudemir Gomes
A vitória do Sport sobre a Portuguesa - 2x1 - de virada, no Canindé, levou o clube rubro-negro a ultrapassar o maior desafio nesta edição da Série B, que era o de, após um início claudicante na competição, quando chegou a povoar a zona de rebaixamento, reagir e fechar sua participação no primeiro turno com chances reais de brigar por uma vaga no G4. O que para muitos seria um milagre tornou-se possível com a chegada do técnico Geninho. Sob o seu comando o time leonino somou 15 dos 21 pontos que disputou, e teve um aproveitamento de 70% em sete jogos, produto de quatro vitórias e três. Pela primeira vez o clube se posiciona entre os 10 primeiros na tabela de classificação.
Naturalmente que o sucesso dos rubro-negros, que emplacaram uma sequência de oito jogos invictos, se deve a uma série de fatores, mas a presença do comandante foi o fator determinante. Para desenvolver tal alquimia, Geninho contou com a chegada de alguns reforços e a recuperação de alguns profissionais que estavam lesionados. Dessa forma o time começou a ser ajustado e já é possível observar a diminuição dos espaços entre os setores, uma deficiência que foi vital para o insucesso no início da campanha.
"Agora só existe uma meta: o G4", comentou Geninho na saída do campo, após a vitória sobre a Lusa. Diante das circunstancias em que ele pegou o grupo, e do momento atual, o próximo passo se mostra bem mais viável que o primeiro. Não quero dizer com isto que o Sport já está com sua vaga assegurada, ele apenas se colocou entre os candidatos ao acesso a Primeira Divisão, justificando um crédito que lhe foi atribuído antes mesmo da bola rolar.
Claudemir Gomes
Quatro jogos marcaram o início das disputas décima-nona rodada e o Náutico foi o único mandante que conseguiu vencer. Os torcedores alvirrubros que foram ao estádio dos Aflitos sofreram com a dificuldade encontrada pelos comandados de Alexandre Gallo para chegar ao magro placar de 1x0 na vitória sobre o Santo André, mas a soma dos três pontos mantém o time aceso, na briga por uma vaga no G4. As vitórias da Ponte Preta - 3x1 - sobre o América/MG, e do Vila Nova - 2x1 - sobre o São Caetano, conspiraram a favor do Náutico que subiu algumas posições na tabela de classificação.
A qualidade do futebol não foi boa, mas temos de manter a coerência sendo fiel ao princípio de que o produto final é o que importa num futebol de resultados. O setor defensivo alvirrubro voltou a apresentar falhas, da mesma forma que o ataque segue improdutivo por conta da falta de objetividade.
A combinação dos resultados força os alvirrubros a torcerem por uma vitória do Sport sobre a Portuguesa, hoje à tarde, no Canindé, uma vez que, a Lusa é a única equipe que pode fazer o Náutico perder uma posição na tabela, na rodada que será concluída neste sábado.
A vitória sobre o Santo André foi à nona contabilizada pelo Clube dos Aflitos no primeiro turno da Série B, o que lhe levou a um percentual de aproveitamento de 54,4%, o mesmo obtido pelo Bahia que está na quarta posição do G4. A tendência é de que o campeonato seja marcado pelo equilíbrio até o final, fato que manterá, no mínimo, oito equipes brigando por quatro vagas.
O campeonato ainda não estar numa fase decisiva, mas a vitória alvirrubra foi determinante.
Claudemir Gomes
A cultura do futebol pernambucano difere da maioria dos outros Estados. Os grandes clubes da Capital - Sport, Náutico e Santa Cruz - donos das maiores torcidas, possuem estádios próprios, o mesmo acontecendo com a quarta força, o Central de Caruaru. A construção de uma arena estadual para receber os jogos da Copa 2014 é um fato novo que provocou uma série de questionamentos.
A proposta do Governo do Estado é da construção de um equipamento através de uma parceria público-privada. Até o momento tal parceria não foi bem explicada. A viabilidade econômica do empreendimento também foi bastante debatida uma vez que, para que a arena se torne rentável se faz necessário um número X de jogos com um percentual Y de lugares ocupados por torcedores. Isto somente será possível com a adesão dos grandes clubes do Recife ao projeto, fato que até o momento não aconteceu, e que nos leva a conclusão de que, após a Copa do Mundo a tendência é a arena se transformar num grande Elefante Branco.
Pernambuco vive um processo inversamente proporcional ao de São Paulo. Na Capital Paulista sempre existiu o Estádio Mário Pompeu de Toledo - Pacaembu - administrado pelo município. Aproveitando o momento pré-Copa, o Corinthians partiu para a construção da arena de Itaquera, concretizando um sonho de cem anos; o Palmeiras também vai investir na construção de uma nova arena e, recebendo ou não jogos no seus estádio, o São Paulo também partirá para fazer algumas reformas no Morumbi. A ação dos grandes clubes bandeirantes irá transformar o Pacaembu num Elefante Branco, fato que levou o prefeito Gilberto Kassab a criar a Comissão de Modernização do Complexo Pacaembu, com o objetivo de discutir o futuro do estádio quando as arenas do Corinthians e Palmeiras estiverem concluídas.
Enfim, as situações foram invertidas. Enquanto em São Paulo os clubes investem em seus próprios estádios, como acontecem nas grandes cidades da Europa, aqui em Pernambuco se constrói uma arena pública.
Claudemir Gomes
Sempre que é apresentado o resultado de uma pesquisa de opinião pública os torcedores ficam questionando a credibilidade do instituto que desenvolveu o trabalho e os números. Não é fácil mensurar o tamanho das torcidas dos grandes clubes. Saber qual a maior, ou a menor, torcida do Estado se torna irrelevante diante de outros sintomas que são revelados e passam despercebidos, mas que ressaltam uma nova realidade para a qual os nossos clubes de massa não se prepararam.
Entrei para a crônica esportiva em 1975. Passei a integrar uma equipe comandada pelo mestre, Adonias de Moura, um dos maiores cronistas do País. Foi justamente no ano em que o Sport pôs fim a um jejum de doze anos, e conquistou o seu vigésimo título estadual. Passaram-se 35 anos, e neste período o clube rubro-negro contabilizou mais títulos estaduais que os coirmãos, Náutico e Santa Cruz, juntos. Acrescente-se a este acervo, três títulos nacionais: Primeira Divisão em 1987; Segunda Divisão em 1990 e Copa do Brasil em 2008. Alvirrubros e tricolores não têm nenhum título nacional em seus arquivos. Portanto, as gerações que surgiram neste período cresceram vendo esta supremacia leonina, fato determinante no aumento da sua legião de torcedores.
A Internet está completando 30 anos. Com ela, o mundo mudou. Mudaram-se costumes, conceitos e valores. A única coisa que permaneceu inalterada foi o comportamento dos dirigentes do nosso futebol em relação às torcidas dos clubes. Nada se fez nas últimas décadas com o objetivo de fidelizar os torcedores e conquistar novos amantes.
Pernambuco é um Estado cuja dimensão territorial é maior no sentido Leste-Oeste. A partir da cidade de Vitória de Santo Antão até Petrolina existe um domínio das antenas parabólicas, que deixa a maioria dos municípios interligados com a programação de outros Estados do Sul e Sudeste. No mundo globalizado tudo o que é doméstico é tido como um subproduto. Dentro deste conceito, o clube que não estiver disputando o Brasileiro da Primeira Divisão fica sem nenhuma visibilidade.
A última pesquisa nos mostra que, em algumas cidades do Agreste e do Sertão, já é possível observar clubes como Corinthians, Flamengo, São Paulo, e outros, na frente de Sport, Náutico e Santa Cruz, na preferência dos torcedores.
A Internet dar uma grande visibilidade aos clubes internacionais, a TV aberta, com exceção dos jogos do Pernambucano, prioriza a Série A, enquanto a antena parabólica dar visibilidade aos clubes do Sul e Sudeste.
A realidade é assustadora, mas nada é mais devastador que a inércia dos dirigentes que, por incapacidade ou comodidade, nada fazem para vender a imagem dos clubes nas cidades do Interior. No ritmo em que as coisas se processam, com mais uma década, teremos em Pernambuco grandes torcidas nacionais. Aliás, elas já existem, como nos mostram as pesquisas.
Por ROBERTO VIEIRA - www.oblogdorobeto.zip.net
A recente extinção do Moto Clube, tradicional agremiação maranhense, ocasionou apreensão e um questionamento entre torcedores de diversas equipes do Nordeste: o próximo será meu time? Muito provavelmente a resposta é sim! Não apenas por uma maquinação diabólica dos clubes do eixo Rio-São Paulo, do Clube dos Treze ou por um destino escrito nas cartas do Tarô, porém pela seleção natural e artificial do próprio bioma futebolístico. Clubes nascem e morrem desde que o mundo é mundo, a única maneira existente para evitar a morte de um time de futebol é a evolução. Entretanto, essa conclusão é muito antiga, mesmo no futebol pernambucano. Duvidam? Então tomemos o exemplo do Clube Náutico Capibaribe.
Em 1930, a agremiação alvirrubra era um baita clube aristocrático. Centrado no remo e nas reuniões sociais, o Náutico decidiu que queria ser campeão pernambucano de futebol. Para conseguir o feito e evitar o tetracampeonato do Santa Cruz, o Náutico lançou mão da contratação de grandes treinadores, entre eles o uruguaio Humberto Cabelli %u2013 fera que comandou os poderosos esquadrões do Palestra Itália e do Fluminense de Pelicciari %u2013 e Joaquim Loureiro. A competência dos seus dirigentes, aliada a uma geração magnífica de pratas da casa, possibilitou os títulos de 1934 e 1939, obtidos com um amor à camisa que dava seus últimos suspiros %u2013 haja vista o bicampeonato dos bem pagos atletas do Tramways em 1936/37. Ao contrário do Náutico, clubes como Torre, Flamengo e Portela sucumbiram à sanha apocalíptica do futebol diante do Estado Novo e da realidade do profissionalismo.
Após a breve evolução, o Náutico se depara novamente com a planície de derrotas e desvarios políticos da década de 40. É resgatado pela mão firme de Eládio de Barros Carvalho, o qual toma as rédeas do clube e monta um supertime no início da década de 50. Craque era sinônimo de Avenida Rosa e Silva naqueles anos, as divisões internas silenciavam na reconstrução da sede destruída por um incêndio, na contratação de Manuelzinho, Jaminho, Ivson, Hamilton, na dedicação heróica de Ivanildo, vulgo Espingardinha, e em decisões arrojadas como a excursão à Europa. Quem não ousou? Dançou, meus amigos. Canto do Rio, Jabaquara, Portuguesa Santista, Renner, Siderúrgica e Botafogo-BA sabem do que estamos falando.
Mas o ciclo cinquentista também se desfaz Em 1960, o Náutico teve que cortar na própria carne trazendo Gentil Cardoso para dirigir o quadro de Waldemar. A tomada de posição do dirigente José Porfírio pondo um fim a 59 anos de ignomínia nas hostes alvirrubras, lançou o Náutico no século XX, abriu as portas da agremiação ao povo e, de quebra, selou sete títulos estaduais na década. O Náutico comandou o futebol nordestino, ombreou-se com os grandes clubes nacionais como Santos e Palmeiras, desclassificou o poderoso Cruzeiro de uma Libertadores e obrigou a Confederação Brasileira de Desportos a criar o Robertão.
Infelizmente, dormiu-se nos louros embriagadores da vitória. E o futebol é duro, impiedoso. Quem não evolui, morre. Na década de 60, Metropol, Ferroviário-PR, América-PE, Juventus-SP, Ypiranga-BA, Galícia-BA, CSE, América-RJ e Tuna Luso sentiram a mão pesada darwiniana. Uns morreram, outros murcharam, definharam até a quase inexistência.
O Clube Náutico iniciou um período de algumas vitórias e muitas derrotas. Diretorias vibrantes se revezaram com diretorias muito mais interessadas no marketing pessoal. As contas do clube foram desprezadas, pratas da casa ignorados, bens da entidade penhorados. As décadas de 70, 80 e 90 fazem parte do quase fechamento de um clube tradicional do nosso estado. Apenas a memória dos gols de Jorge Mendonça, a explosão de Baiano e Josemir Correia no final da ditadura, a alegria de Bizu e Nivaldo nas eleições de Collor permitiram que a nave Timbu aportasse no Século XXI. Mais morta do que viva, é bom que se diga.
Pois nessa época, surgiu o Clube dos Treze, entidade que teve entre seus membros, primeiro o Santa Cruz, que não aproveitou o golpe de sorte, e depois o Sport Club do Recife, Leão que pegou o bonde e estabeleceu sua hegemonia estadual de forma quase absoluta. O Clube dos Treze passou a ser o meteoro da vez na extinção dos dinossauros. Alecrim, Moto Clube, Botafogo-SP, Comercial, Uberaba, Tiradentes, Itabaiana, Botafogo-PB, Auto Esporte, River e Nacional-AM dançaram.
E o Náutico não dançou por um milagre, um milagre acontecido em 2001 pelas mãos dos três reis magos: André Campos, Kuki e Muricy Ramalho. Isso sem falar nos apóstolos Sangaletti, Wallace, Gilberto e companhia limitada. Porém, como futebol não vive apenas de milagre, a Bíblia fala que se deve trabalhar senão o homem lá em cima não ajuda, o Náutico abdicou de completar sua modernização. Sucumbiu diante das vitórias no campo. Se é verdade que possui um CT e um Centro Administrativo de fazer inveja aos rivais, também é verdade que não democratizou suas linhas diretivas. O ego fala muito mais alto que o amor ao clube em diversos setores do clube, o Departamento Médico é arcaico %u2013 ficou lá nos anos 60 %u2013 a relação com a imprensa é tempestuosa, as relações trabalhistas são escravocratas, a massa física do seu estádio é medieval. < span style="mso-spacerun: yes;">
Está claro que o Náutico não morreu. É um dinossauro prestes a completar 110 anos com uma torcida apaixonada. Porém, o Náutico não deve acreditar que a evolução darwiniana não acompanha passo a passo o futebol. Cada novo ciclo que se inicia exige decisões arrojadas e dirigentes antenados com a realidade em sua volta. Botar a culpa da própria extinção no asteróide dos Treze é perda de tempo.
Clube que sobrevive? É clube que se reinventa.
O futebol dos novo século exige o surgimento de uma nova espécie, meus amigos: O timbu sapiens...